segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Tempestades revelam florestas pré-históricas nas praias



As violentas tempestades removeram sedimentos de praias do Reino Unido revelando florestas pré-históricas. São tocos de carvalhos, faias e pinheiros datando de há 6.000-4.000 anos, que os cientistas têm agora a oportunidade de estudar antes que voltem a submergidos por areia nos próximos meses. 

As florestas ancestrais localizam-se em Mount Bay, na costa da Cornualha, e entre Borth e Ynyslas no litoral do País de Gales, e remontam a uma época anterior à subida do nível do mar, que causou o seu desaparecimento debaixo de camadas de turfa, areia e água salgada, revela o The Guardian.

Os cientistas já sabiam da existência destas florestas que viram a luz pela primeira vez em 40 anos, indica por seu lado o The Telegraph, mas só agora foi possível determinar a sua idade através da medição do carbono radioactivo.

A “emersão” deste tipo de relíquias não é fenómeno novo, ocorrendo como resultado da erosão da costa causada por grandes temporais.

Fotos: LNP/Keith Morris/LNP

http://beachcam.sapo.pt/noticias/tempestades-revelam-florestas-pre-historicas-nas-praias/

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Rogue Wave

Na passada Segunda-feira, aquando da passagem da tempestade Stephanie que assolou a costa portuguesa, olhei para os registos das bóias ondógrafo, e em Sines vi isto:


Uma onda de 17.27 m, quando a altura significativa foi de 7.92 m, só pode ser uma Rogue Wave. Mas o que é uma Rogue Wave? Uma onda é assim classificada quando tem pelo menos o dobro da altura significativa, que já por si só é uma média do terço das ondas mais elevadas registadas pela bóia. É a onda mais misteriosa que acontece no Oceano, sendo alvo ainda de muita investigação para descobrir a sua origem. Sabe-se que resultam da soma de muitas ondas individuais, mas como tal acontece ainda não está bem explicado.

As Rogue Waves são um fenómeno imprevisível que pode acontecer com qualquer mar, a qualquer momento. Com um mar de 1 metro, uma onda com 3 metros já é considerada Rogue Wave. São por isso ondas muito perigosas, sobretudo para as embarcações porque são mais frequentes em mar alto. Há vários registos na história de navios que desparaceram misteriosamente e julga-se que foram vítimas de Rogue Waves em tempestades.

Neste caso de Sines, torna-se relevante porque esta aconteceu perto da nossa costa. É preciso um azar dos diabos, mas nunca se sabe quando um pescador poderá ter de encarar uma. Fica aqui a confirmação do IPMA acerca de ocorrência do fenómeno. Note-se que esta foi uma onda individual muito superior a qualquer outra. Houve registo de várias ondas entre os 11 e 13 metros durante o temporal, mas nenhuma se aproximou deste registo.

O vento intenso associado à depressão originou agitação marítima forte no Atlântico, tendo-sido registado nas bóias ondógrafo do Instituto Hidrográfico (IH) ondas com altura significativa, Hs, até 8 m e com altura máxima, Hmax, de 12.5 m em Leixões e 17 m em Sines (Figura 2), associadas a um período de médio de 10 s.

As previsões dos modelos numéricos (Figura 3) assim como as previsões do Centro Operacional de Previsão do Tempo do IPMA foram corroboradas pelas medições obtidas pela rede de bóias ondógrafo do Instituto Hidrográfico.

As ondas de altura máxima com 17 metros, observadas em Sines, podem ser designadas como “freak (ou rogue) wave”, uma vez que a sua altura foi maior que o dobro da altura significativa (Hs ~8 m), o que se pode considerar como um evento extremo, dado que a probabilidade de ocorrer é inferior a 1%.

http://www.ipma.pt/pt/media/noticias/newsdetail.html?f=/pt/media/noticias/textos/tempestade-stephanie.html

Para mais informações acerca de Rogue Waves: http://en.wikipedia.org/wiki/Rogue_wave

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mau tempo

Como está fazendo muito mau tempo, com o mar a não ajudar nada.
Ficamos todos impedidos de exercer o nosso hobby favorito....PESCA
Assim só nos resta esperar por melhores dias, que, inevitavelmente virão.
Enquanto vamos sonhando com belas pescarias, nada como pesquisar por novas coisas relacionados com a pesca.
Assim, na sequência das minhas pesquisas, fiz um vídeo, com imagens de pesca.
Reparem bem nos locais, nos peixes capturados, no material de pesca (canas,carretos, etc) e, porque não, nas paisagens.
Espero que seja educativo e descontraído, e que vos ajude a ultrapassar esta fase de condições atmosféricas e marítimas adversas


Espero que tenham gostado......

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Figurantes

Partilhamos aqui um excerto de um filme encontrado no www.beachcam.pt.
O local é facilmente identificável. Foi no mês de Novembro, o mar estava durinho, e optamos pelo local. Como conhecíamos mal o local, fomos explorar spots e conhecer "os cantos á casa" na medida do possível.

Quando vínhamos embora reparamos nuns surfistas, e em 2 "maquinões". Um deles era uma câmera de filmar num tripé. O outro era a senhorita que estava por detrás da câmera :D

Foi um regresso de mais um dia bem passado, junto ao mar, numa paisagem maravilhosa.  No balde ainda vieram uns 7 Sargos de razoável calibre.

Recordo este dia, pois além de ter sido agradável (como são quase todos) soltou-se-me um "dentuças" (como não podia deixar de ser) e descobrimos muitas coisas novas do local (das quais já tiramos proveito posteriormente)

Como "cereja em cima do bolo" fomos filmados por uma brutal câmera operada por uma brutal operadora de câmera :D

O que se pode pedir mais  ?!?!?!?!?!?!!?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Homenagem - O "Pai" dos Curiosos

Nestes tempos mortos em que os Curiosos não estão em actividade, escrevo este post para homenagear a pessoa sem a qual muito provavelmente nós não existiriamos como pescadores desportivos: o meu falecido pai, vítima de cancro aos 42 anos (teria hoje 49).

Tudo começou quando mesmo antes de casar com a minha mãe. Os meus avós tinham uma casa perto do Rogil, a 1 km do mar e junto ao Medo. A primeira vez que o meu pai lá foi de férias, imediatamente se apaixonou pelo "paraíso" que a Costa Vicentina representou para ele. Desde esse tempo, não houve Verão em que as férias não fossem ali. Entretanto nasci eu, e como me lembro bem das férias maravilhosas passadas naquela casinha pequena, sem luz, casas de banho, de tomar banho com água do poço, da figueira, do meu baloiço, de ir comer camarinhas ao Medo... isso acabou quando eu tinha cerca de 10 anos, por a casa estar em evidente degradação e não haver dinheiro para reparação. Hoje em dia a casa está arranjada e é propriedade de primos nossos, o que nos permite ainda ir matar umas saudades de vez em quando.

A nossa "casinha velha" como eu lhe chamava, antes das reparações.

Além da casinha, eu adorava a minha praia, e o meu passatempo foi desde muito cedo andar com um balde e um camaroeiro a apanhar camarões, cabozes, caranguejos, pequenos polvos... mas sempre tudo devolvido vivo à água depois de ir mostrar à minha mãe o que tinha apanhado. Era o que eu já gostava na altura: andar nas rochas, nas poças e observar o mar e a natureza.


Nas praias quase desertas, aprendi a amar e observar o mar, assim como o que nos oferecia.
Mesmo depois de a casa ter ficado com os nosso primos, não deixámos de ir ao Rogil quando podíamos. Até que no Verão de 2001, quando eu tinha 11 anos, o meu pai decidiu comprar duas canas de pesca, uma para ele e outra para mim. E foi à aventura sem nada saber, sem ninguém para lhe ensinar. Eu ainda fiquei mais uns 2 anos nas "poçinhas" antes de passar à pesca mais propriamente dita, mas o meu pai lá tentava sozinho.



Eu e o meu pai, nas primeiras "pescarias".

Quando eu tinha cerca de 13 anos comecei a acompanhar o meu pai na pesca em vez de ficar a dar "apoio moral". Lembro-me perfeitamente de ficar radiante com uma pescaria de 3 bogas, ou de uma safiazeca, mas felizmente rapidamente começámos a apanhar alguns peixinhos melhores, principalmente safias e ás vezes umas sarguetas. E foi aí que o meu tio, o outro dos Curiosos, entrou. Abandonou o seu desporto favorito (dormir na praia) e juntou-se a mim e ao meu pai nas pescarias.

Nós os dois depois de uma pescaria, lá ao fundo.
O resultado da pescaria, já corriam um pouco melhor que no início!

Em 2004, tinha eu 14 anos, foi diagnosticado cancro do estômago ao meu pai, e foi operado de urgência onde lhe foi completamente retirado. Deram-lhe no máximo 6 meses de vida... Mas isso não o fez baixar os braços. Mesmo com tratamentos muito severos de quimioterapia, a vontade de viver era tanta que continuava a ir à pesca e a fazer tudo o que mais gostava. E sempre a descer e subir nas falésias e pedras da Costa Vicentina. O meu pai, com esta força, conseguiu viver mais 2 anos. Dois anos onde ainda conseguimos fazer algumas boas pescarias e passar bons momentos. Mas havia algo que faltava ao meu pai, o seu grande sonho de pesca. Apanhar um robalo. Comprou uma cana para corricar, e dedicou-se, com as enormes limitações que já tinha. Até que em Setembro de 2006, na sua última pescaria, conseguiu apanhar uma bela baila. Um mês antes de falecer, literalmente de fome pois já nada conseguia ingerir. Nunca irei esquecer esse momento nem que viva 1000 anos. A fotografia da baila está exposta na nossa casa "nova" no Rogil, não a tenho aqui. Não foi um robalo a sério, mas para ele e para mim significou isso mesmo. Foi um robalo com pintas.

Quando apanhei o meu primeiro robalo, um ano mais tarde, com 4,3 kg, foi como se tivesse sido ele a apanhar. Naquela meia-hora que estive para por o peixe em seco, com linha 0,28 mm e anzol nº 4 (??), foi a força do meu pai que me permitiu aguentar e ter a paciência e sorte necessária para completar finalmente e de forma inequívoca o seu principal desejo.


Soube um dia mais tarde, pela minha mãe, que antes de falecer o meu pai disse-lhe que estava contente por me deixar todo o material de pesca necessário para fazer vários tipos de pesca. Ele sabia que eu ia continuar a pescar. Hoje ainda me lembro muitas vezes dele quando estou na pesca, é sem dúvida uma fonte de inspiração para mim. Não pude deixar de lhe fazer aqui esta homenagem, em sua memória, para que nunca seja esquecida! Obrigado Pai!



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Antes e Depois da Tempestade...

Antes (final de Dezembro):


Depois (início de Janeiro):



Duas últimas fotos de José Gonçalves.